Reitoria da USP oficializa demissão de professor de direito acusado de assédio sexual
- 11/02/2026

Alysson Mascaro, professor da USP acusado de assédio Reprodução A reitoria da Universidade de São Paulo (USP) oficializou nesta quarta-feira (11) a demissão do professor da Faculdade de Direito Alysson Mascaro, que estava afastado desde dezembro de 2024 após ser acusado por estudantes de assédio e abuso sexual. A decisão foi publicada no Diário Oficial do estado de São Paulo. Segundo o despacho do reitor, o professor pode recorrer em até 30 dias. O g1 procurou a defesa de Mascaro, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. A Faculdade de Direito já havia votado pela demissão de Mascaro no dia 11 de dezembro do ano passado. Contudo, a decisão ainda precisava ser oficializada. Na época, um dos estudantes que denunciou o caso ao g1 comemorou o desligamento. "A Justiça está sendo feita. Agora, a luta vai ser no penal, já que tem um inquérito policial correndo", disse. Vinícius Alvarenga, ex-aluno da Faculdade de Direito da USP e representante discente da pós-graduação, também comentou a demissão do professor. Foi ele quem articulou o grupo que assinou o pedido para a abertura da investigação interna. "Um alívio que tudo se encaminhou bem", afirmou. À época das denúncias, o professor negou as acusações. Para a defesa dele, a sindicância preliminar e o Processo Administrativo Disciplinar foram "marcados por violações graves e estruturais". Um inquérito também foi aberto a pedido do Ministério Público de São Paulo, em junho de 2025, e está sob responsabilidade da 1ª Delegacia Seccional de Polícia. Em dezembro, a defesa de Mascaro afirmou ao g1 que ele não tinha sido convocado para prestar esclarecimentos ainda. LEIA TAMBÉM: Abraços fortes, tentativas de beijos e convites: veja relatos de ex-alunos sobre professor da USP acusado de assédio sexual Após sindicância preliminar, USP instaura processo administrativo contra professor de direito acusado de assédio sexual; ele segue afastado Denúncias Fachada da Faculdade de Direito do Largo São Francisco Divulgação/USP A sindicância interna na USP teve início em dezembro de 2024 após vir à tona a denúncia de 10 alunos e ex-alunos sobre casos de assédio que teriam acontecido entre 2006 e 2024. A partir das denúncias, a USP afastou temporariamente Mascaro, afirmando haver "fortes indícios de materialidade dos fatos". Na sindicância, finalizada em 9 de janeiro de 2025, foram ouvidos os relatos de estudantes, todos homens, que acusam Mascaro de assédio sexual, além de três mulheres, sendo uma como testemunha e outras duas como possíveis vítimas de assédio moral. Ao final, também foi colhido o depoimento do professor. A defesa dele nega as acusações. Os relatos de ex-alunos dão conta de conversas prometendo orientação acadêmica e indicações profissionais na área jurídica que se transformaram em mensagens íntimas, abraços desconfortáveis e tentativas de beijos. Quatro ex-alunos que acusam Mascaro de assédio sexual foram ouvidos pelo g1 entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025. As denúncias dos estudantes, que se assemelham muito no teor e foram feitas individualmente, apontaram que o professor seguia um roteiro: começava as conversas prometendo indicações profissionais e falava sobre as ligações influentes que tinha na área jurídica. Depois de se aproximar dos alunos, segundo os relatos, fazia convites para que conhecessem a casa dele na área central de São Paulo, onde a maioria dos episódios de assédio teria ocorrido (leia os relatos completos aqui). "Quando recebi a notícia através dos jornais de outras acusações contra o assediador, tive a infeliz surpresa de que ele havia, além de mim, abusado de muitas outras pessoas, que seu modus operandi era praticamente idêntico", afirmou um ex-aluno. Quem é Alysson Mascaro? Conhecido na área acadêmica por publicações na área jurídica, Alysson Mascaro atuava como professor associado da Faculdade de Direito da USP e livre-docente em Filosofia e Teoria Geral do Direito. Graduado e doutor pela USP, ele era constantemente convidado para dar palestras sobre livros de sua autoria, como "Crise e Golpe", "Estado e Forma Política", "Filosofia do Direito" e "Introdução ao Estudo do Direito". Nas redes sociais, Mascaro acumula mais de 100 mil seguidores. As publicações costumam ser vídeos de palestras, entrevistas ou do professor comentando assuntos jurídicos. Não há postagens relacionadas à vida pessoal. G1 Explica: ciclo do relacionamento abusivo
#Compartilhe






